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Balanço Final - ElisabeteJacinto
7 de Outubro de 2004
Uma experiência extraordinária
Num breve intervalo do seu programa de preparação com vista ao Dakar 2005, onde participará mais uma vez aos comandos do Renault Kerax Rallye Raid inscrito oficialmente pelo construtor francês, Elisabete Jacinto foi uma das participantes no Latitude Zero - Equatorial Challange, um evento muito especial que se desenrolou em S. Tomé e Príncipe.
Para Elisabete Jacinto esta “foi uma fabulosa experiência de condução. Tratou-se sempre de uma condução a baixa velocidade com transposição de muitos obstáculos que só se tornaram possíveis com a técnica de condução de Trial. Para isso contámos com a ajuda de algumas equipas bastante experientes que, com um espírito de inter-ajuda digno de realce, não deixaram ninguém ficar em dificuldades. Foram orientado, dando conselhos e trabalhando para que todos os carros pudessem passar em segurança. Foi necessário construir pontes desbravar matos, tapar buracos e tirar a terra das derrocadas para abrir os caminhos registados nas cartas topográficas de 1953 mas que, por não serem utilizados, acabaram por ser tomados pela floresta” salienta a piloto para quem as maiores dificuldades do grupo tiveram a ver com “os perigos da floresta equatorial num país com muitos poucos meios. O nosso maior receio era a cobra negra cuja mordedura é rapidamente mortal, mas a única que vimos tinha sido capturada por um local e já não constituía qualquer perigo. Estava morta”
Com o apoio da Salvador Caetano Elisabete Jacinto utilizou um Toyota Land Cruiser que “foi uma verdadeira surpresa. Eu já sabia que se tratava de um bom 4x4 mas os percursos de Trial são extremamente exigentes e demolidores e a expectativa em saber como se iria comportar era grande. Na realidade, constatou-se que passava com facilidade por todos os sítios, mesmo os mais trializantes e cheguei mesmo a ser a única a conseguir fazer uma das subidas com os meus próprios meios, enquanto todos os outros carros necessitaram de ser içados pelo guincho”.
Esta expedição teve também uma forte componente humanitária já que “através dela foi reconstruída e pintada uma escola em Santa Cruz dos Angolares com o apoio das Tintas CIN e da Câmara Municipal de Matosinhos, foram entregues 18 400 livros pela Texto Editora e cerca de 2000 pela Porto Editora, foi doado à AMI um aparelho desfribilhador Siemens, assim como seis ampolas de antídoto à mordedura da cobra negra”.
Quanto à experiência tropical Elisabete Jacinto adianta que “foi muito interessante estar pela primeira vez num clima equatorial e viver os vários aspectos relacionados com esta zona climática. Refiro-me ao facto do dia durar rigorosamente doze horas e do nascer e pôr-do-sol se fazer de uma forma extremamente rápida. Sentir o calor, a chuva e a humidade e viver no meio de uma floresta absolutamente densa e verde foram experiências indescritíveis. A floresta encobre completamente o solo e cresce uns bons metros acima da nossa cabeça acabando também por encobrir completamente o céu. Faz-nos sentir muito pequeninos” salienta Elisabete Jacinto que como professora de Geografia acrescentou mais um rol de conhecimentos práticos ao seu currículo.
E para terminar deixa uma sugestão “S. Tomé e Príncipe é um país com umas potencialidades incríveis e que pode ser uma verdadeira jóia em África. Os traços da cultura portuguesa são ainda bastante evidentes e a sua população é de uma simpatia e afabilidade fora do comum nos países africanos”.
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