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Um valente susto!!
25 de Setembro de 2004
A subida era extremamente longa, escorregadia e também bastante íngreme na fase final. Impossível subir apenas com a motorização dos jipes. Era necessário içá-los a guincho, um a um, etapa a etapa. Processo moroso e trabalhoso.
Alguns elementos do grupo, os mais especialistas nas técnicas de Trial, trabalharam arduamente horas a fio, enquanto os menos experientes, como eu, aguardavam pacientemente o momento.
Aquele em que algum deles se ocuparia de nós e, dando-nos indicações precisas e muito rigorosas, nos fariam transpor qualquer obstáculo, por mais difícil que fosse, fazendo-nos sentir uns verdadeiros dotados em condução. Pura ilusão! Esta é uma expedição para especialistas. Sem as indicações destes homens, sem os seus conselhos técnicos, os seus truques... não teríamos sequer passado a primeira ponte. Mas eles permitiram-me levar o Toyota Land Cruiser por um percurso magnífico, atravessar a floresta e passar por sítios, aos olhos de qualquer leigo, impossíveis de transpor. Diria que fiz um curso de Trial, ampliei a minha capacidade de condução e vivi momentos inesquecíveis. Estou-lhes grata por isso.
Mas claro que isso teve os seus custos. Não erraria muito se dissesse que demorámos cerca de 11 horas a colocar os quinze carros do outro lado da colina.
O pessoal começava a ficar exausto. Encharcados, com as roupas já rasgadas e o corpo arranhado pelos ramos, cobertos de marcas de mordidelas dos mosquitos, havia já quem não se conseguisse fazer ouvir, roucos por tanto gritar, dar ordens, instruções...
Mas já só tinham em mente uma ideia determinada, ir dormir à Praia Jalé, local onde terminaria a expedição, montar tenda e dormir sem hora marcada para acordar.
Por volta das onze horas da noite a frente da coluna começa a passar a ponte, a tal em que tínhamos que ficar suspensos sobre dois troncos de árvore. Apanhámos um valente susto no momento em que, já sobre a ponte, o carro da Diana fez ceder um dos troncos. Mesmo assim percorreu toda a ponte num equilíbrio perfeito, com o comando do guincho nas mãos do Rui Galinha.
Os últimos dois quilómetros foram especiais, sempre a descer o barro escorregadio e a galgar pedra à beira do precipício encoberto pela vegetação.
Por volta das duas horas da madrugada chegamos à Praia Jalé. Havia já quem ameaçasse adormecer ao volante.
Rapidamente o pessoal recolheu a sua tenda com pressa de dormir. Hoje ficamos nesta praia lindíssima a gozar o dia de descanso e a reorganizar o interior dos jipes. A meio da manhã a tão temida cobra negra circulou pelo acampamento pelas mãos de um Santomense como um troféu de caça, capturado na proximidade do local onde estávamos acampados.
Suou como uma mensagem: há que continuar alerta! Apesar de já nos sentirmos em casa, não somos filhos desta terra.
Elisabete Jacinto
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A má notícia!
24 de Setembro de 2004
Chegámos a St.º António por volta das 4h da tarde. Um lugar paradisíaco! Uma antiga roça de cacau abandonada e tomada pela vegetação à beira da praia. Completamos 10 km. Falta-nos apenas três para atingir o nosso objectivo.
Perante a perspectiva de um espaço aberto e da proximidade do mar, o pessoal descontrai-se e anima-se. Saca-se das máquinas fotográficas e dispara-se em todas as direcções. Há quem se meta dentro de água completamente vestido.
À nossa frente o Rio das Pedras desce a floresta em direcção ao mar e é necessário atravessa-lo. A única hipótese consiste em faze-lo pela praia, mas temos que esperar pela maré baixa.
Naquele compasso de espera encontramo-nos com a comitiva que sempre segue à frente a fazer o ultimo reconhecimento do percurso. Trazem uma má notícia: os dois rios que nos separam de S. Miguel, entre os quais se forma uma planície aluvial pantanosa, estão cheios de água. Tem chovido bastante e, como tal, estão intransitáveis.
Conclusão: não vamos conseguir atingir o nosso objectivo. Confesso que isso me traz algum sentimento de frustração, de projecto inacabado, mas parece que ninguém mais esta preocupado com o facto!
Voltamos para trás pelo mesmo caminho, pois na realidade não existe outro. A floresta é tão densa que não nos deixa ver céu nem terra. Apenas este trilho que as cartas militares de 1953 registaram e que se encontra praticamente intransitável em toda a sua extensão. A segunda edição do LZEC percorreu 10 km. Quantas edições serão necessárias para dar a volta a ilha?!
O trajecto de regresso revela-se bastante mais difícil em termos de condução pois o piso está já bastante degradado. Fazemo-lo quase ininterruptamente até chegar à cascata que tem de ser descida centímetro a centímetro, com muito jeitinho. O problema maior é a subida, aquela que antes fizemos a descer com os carros presos uns aos outros pelo cabo do guincho. É que o piso é deveras enlameado e escorregadio!
Os dois Toyotas criteriosamente colocados entre os primeiros carros da coluna, já cumpriram dois terços da subida. Tive direito a uma salva de palmas por ter conduzido o único carro capaz de trepar a segunda parte da subida sem precisar de guincho. Estamos agora á espera de enfrentar a fase mais difícil da subida enquanto o dia, lentamente, vai chegando ao fim.
Elisabete Jacinto
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Houve palmas!
23 de Setembro de 2004
O riacho galgou o estradão e fez dele o seu leito. Arrastou a terra e deixou as pedras descobertas transformando-as numa cascata. Acabou por abrir um sulco profundo, com mais de um metro de largura, quase dois de profundidade e uns dez metros de comprimento. Aí o curso de água efectuou uma curva, deixou o estradão e desceu a ravina.
Foi aí que chegamos a meio da tarde de ontem, tínhamos percorrido 6 km. Era mais um obstáculo no nosso destino para S. Miguel.
Ao princípio houve ideias discordantes sobre a melhor forma de o transpor: construir uma ponte, entulha-lo com troncos e pedras…
Qualquer que fosse a opção ia dar trabalho e havia quem duvidasse que alguma vez conseguíssemos passar ali?! "Porque não voltamos já para trás?!", "Ouve…isto não vai dar nada!!" Eram comentários que se iam fazendo em tom discreto. A certa altura a voz de comando de Jorge Pires suou alto com a decisão final: "Vamos encher o buraco com troncos e pedras! Precisamos de gente para trabalhar!".
E começámos a terrível tarefa de cortar troncos, arrasta-los com o guincho dos jipes para o buraco, assim como as pedras maiores, cavar a parede para alargar o espaço transitável e prender um tronco ao chão para guiar a roda dos carros no limite do precipício.
Os trabalhos continuaram na manhã seguinte. Tivemos sorte porque choveu pouco durante a manhã, mas estávamos completamente encharcados de suor, mesmo aqueles que nada faziam e se deliciavam a observar os que trabalhavam afincadamente, como se a sua vida dependesse da reconstrução daquela "estrada" na floresta.
Por volta do meio-dia passou o primeiro carro, devagarinho, pedra a pedra, com as distâncias bem medidas… havia que subir a cascata. Até que chegou a minha vez.
Enquanto esperava as instruções do Ricardo Cortiçadas, observava o saltitar da água sobre as pedras e perguntava a mim própria qual seria a trajectória ideal num sítio onde nem um tractor me parecia que poderia passar.
Eis que Ricardo começa a fazer gestos com as mãos e vou girando a direcção de acordo com os seus gestos e gerindo a aceleração de acordo com os movimentos do carro. Pedra a pedra fui subindo. Sustía a respiração sempre que o carro fazia um movimento mais brusco e ouvia o som de uma batida: "Vou partir o carro todo!" pensava… Mas não! O Land Cruiser subiu, intacto, toda a cascata como se tivesse nascido para estas coisas do Trial. Houve palmas!
Continuamos pela pista rodeada de verde de vários tons de acordo com a densidade dos fetos, dos coqueiros ou do bambu. Seguimos devagarinho, conduzindo com cautela porque na margem da pista há quase sempre um precipício encoberto pela vegetação. Os co-pilotos seguem à frente, atentos, fazendo parar a respectiva viatura sempre que necessário.
Batemos o nosso recorde de deslocação pois percorremos 2,5 km antes de pararmos perante uma derrocada, que bloqueia a passagem. Há que trabalhar como cantoneiros e tirar a terra à pá. Mas esta passagem foi motivo de alegria para alguns que, ao depararem com uma deliciosa cascata aproveitaram para tomar banho! Assim… como nos filmes!
Estes dois quilómetros fizeram-nos bem ao espírito pois as noites pouco e mal dormidas, assim como a constante sensação de desconforto, começam a deixar as suas sequelas.
…Mas avançamos lentamente… em direcção a S. Miguel.
Elisabete Jacinto
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Espiríto de entre ajuda
22 de Setembro de 2004
Um comentário de alguém chamou-me a atenção para a grande proximidade da praia, mas não há qualquer vestígio da mesma. O nosso horizonte continua a ser aquele mar de verdura que não nos deixa, tão pouco vislumbrar o céu.
A proximidade da praia constitui também uma via prevista pela organização para a evacuação de feridos caso seja necessário. A cobra negra, cuja mordedura não permite mais do que algumas horas de vida, é de todos os perigos o mais temido, se bem que o insignificante mosquito causador da malária intimida também toda a gente. O repelente de insectos passou a ser o nosso inseparável companheiro de expedição. Estamos sempre molhados ou porque a chuva não para de cair, umas vezes miudinha e discreta outras vezes grosseira e agressiva, ou porque não paramos de transpirar. O calor é suportável mas o ar demasiado húmido torna a atmosfera algo pesada.
Os co-pilotos seguem a pé à frente dos carros, de botas enlameadas, t-shirt encharcada e catana na mão. Vão-nos dando indicações, alertando para os vários perigos do caminho, alguns dos quais não os chegamos a ver, camuflados pelos infindáveis arbustos. São eles que verdadeiramente conduzem o carro dando indicações precisas sem as quais seria quase impossível transpor os obstáculos.
Hoje tivemos de transpor um difícil morro em corta-mato, pois as fortes chuvadas cortaram a pista criando um desnível de cerca de três metros. Foi digna de ser vista: catorze carros em fila, presos uns aos outros pelo cabo do guincho, escorregando pela colina enlameada, metro a metro, suportando com o seu próprio peso o movimento do outro carro, contornando árvores, saltando pedras, transpondo troncos derrubados. Existe um verdadeiro espírito de entre ajuda.
Há neste grupo verdadeiros especialistas e apaixonados pelo Trial. São os que gritam com voz forte, dando ordens, orientando e organizando os mais inexperientes e estabelecendo o tal espírito de entre ajuda.
Trabalham afincadamente e os seus olhos brilham perante cada dificuldade.
Dêem-lhes um guincho, uma cinta de reboque e uma moto-serra e eles porão os carros em qualquer lugar, fá-los-ão passar por locais impensáveis e o movimento das viaturas não conhecerá qualquer limite.
A presença dos Land Cruiser constitui por si só mais um desafio numa expedição quase mono marca.
No princípio eram alvo de comentários jocosos ao que eu e a Diana respondíamos com um sorriso simpático. Depois constatou-se que transpunham os obstáculos de Trial, com o mesmo à vontade que os outros e foram ganhando o respeito de todos. Contudo, fazemos questão de não riscar a pintura, de voltar a casa com os carros impecáveis. Isso exige uma escolha mais criteriosa dos percursos ou alguns cuidados especiais.
Dia após dia, vamo-nos aproximando do nosso objectivo.
Neste momento temos já percorridos quase seis quilómetros e, enquanto escrevo, aguardo a construção de uma ponte no local considerado o mais difícil do percurso.
Elisabete Jacinto
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O Arranque
21 de Setembro de 2004
Deixamos o alcatrão por volta das cinco da tarde. Restava-nos menos de uma hora de luz. A noite no equador chega cedo!
Entramos por um trilho entre dois muros de vegetação que se prolongavam alguns metros acima da nossa cabeça. Lá em cima a vegetação unia-se formando um túnel de verdura que não nos deixava sequer ver o céu.
Seguimos lentamente por aquele trilho com os ramos a bater no pára-brisas e os pneus a escorregar sobre as pedras, com muita perícia, muito cuidado, que a vegetação esconde muitas armadilhas.
Três quartos de hora mais tarde já o dia se transformava em noite. Eu sentia-me algures, isolada no fim do mundo, quando dei comigo a passar em frente a uma aldeia. Casas de madeira empoleiradas sobre estacas, porcos e galinhas à solta e um ligeiro cheiro a estrume no ar.
Em português os habitantes da aldeia explicaram-me que a primeira vez que um carro tinha passado por aqueles lados tinha sido no ano anterior, na primeira edição do
Latitude Zero.
Por toda a parte do mundo existem aldeias isoladas, mas esta conseguia impressionar-me e interroguei-me sobre o modo de vida das pessoas… mas, vendo bem, não tínhamos feito mais de um quilómetro e meio!
Decidimos continuar pela noite fora. O nosso objectivo é chegar a S. Miguel, uma aldeia talvez como esta, mas onde a igreja foi abandonada há anos. À nossa chegada o bispo de S. Tomé, D. Abílio Ribas, irá rezar uma missa naquela povoação. Seguimos pelos trilhos marcados na Carta Militar de 1953 e que há muito foram tomados pela floresta. É a força de catana e moto-serra que se abre espaço para a passagem dos carros. Paramos poucos metros depois da aldeia. Havia uma ponte que tinha caído e era preciso reconstruí-la.
Fez-se um verdadeiro trabalho de engenharia mas, ingenuamente utilizou-se alguma madeira cortada no ano anterior e esta cedeu a passagem do primeiro carro. Voltou a reconstruir-se e passaram apenas mais dois carros. Os especialistas em Trial deram largas a adrenalina e procuraram alternativas para transpor o riacho. Da minha parte, insisti na reconstrução da ponte e já passava da meia-noite quando passei para o outro lado, com cada roda sobre dois troncos, presos por uma corrente de bicicleta. Duzentos metros mais à frente tínhamos mais um obstáculo: uma subida, seguida de uma descida íngreme e escorregadia. Decidimos deixá-la para o dia seguinte.
Reclinamos os bancos do Toyota e dormimos ali mesmo, dentro do carro, entalados entre a vegetação, a chuva e a lama. Às cinco horas da manhã toca o despertador e o dia nasce num ápice. Os pássaros começam a cantar alegres e bem dispostos enquanto nos preparamos para mais um dia na floresta.
Elisabete Jacinto
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... E agora as máquinas
21 de Setembro de 2004
Eram as 6.30h da manhã de terça-feira quando a campainha tocou. Era preciso ir ao porto, o navio estava prestes a atracar.
Havíamos passado alguns dias em regime de turismo ligeiro: umas idas à praia, ao Ilhéu das Rolas, ás roças de cacau…foram dias agradáveis que serviram para proporcionar um maior conhecimento entre os vários elementos do grupo mas, verdadeiramente, não nos satisfazia. Queríamos os nossos carros, queríamos desbravar floresta, sentir o calor húmido e a chuva equatorial, ouvir o cantar dos pássaros, escorregar na lama! Enfim…tudo eram expectativas.
Ansiosamente observávamos os movimentos da grua e a descida de cada carro até que as rodas tocassem o solo do cais. O meu Toyota foi o ultimo a descer e, talvez por ser a ultima oportunidade, foi o único a sofrer danos no transbordo do "Sodade". Um dos rolos sobre os quais a grua suspendia os carros assentes pelo chassis, ficou preso entre a roda e o guarda-lamas traseiro. Um forte pontapé dado por um dos funcionários do cais permitiu solta-lo, mas também danificou os suportes do pára-choques de trás.
No estacionamento do Bairro da Cooperação Portuguesa, cada um encharcou de suor a respectiva t-shirt enquanto se procediam aos últimos preparativos antes da partida. Inventámos uma forma de manter fixo o pára-choques, colámos os últimos autocolantes e enchemos uma mochila de comida…para estar mais a mão!
Ao meio-dia todos os veículos estavam airosamente dispostos em circulo, em frente ao Forte de S. Sebastião, prontos para a foto e para o que "desse e viesse"! Na bomba de gasolina enquanto se esperava que todos os carros estivessem devidamente atestados, havia quem cantasse e dançasse ao som da sua própria musica. Seguimos por uma estrada de alcatrão, húmida, estreita, sinuosa e por vezes esburacada. A nossa volta a floresta é verde, densa… As ervas que crescem nas bermas tendem a cobrir a estrada tornando-se ainda mais estreita. Tudo à nossa volta é verde, excepto quando se consegue vislumbrar o mar ao longe. Finalmente a comitiva pára, vamos deixar o alcatrão e entrar no trilho. Vamos finalmente entrar na floresta!
Elisabete Jacinto
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A Chegada
Chegámos ao Aeroporto Internacional de S. Tomé por volta das oito horas da manhã (uma hora menos que em Portugal) depois de uma noite passada a bordo do avião da Air Luxor. A receber-nos uma atmosfera quente e húmida, suficientemente agradável para nos fazer recordar o Verão.
Tentando digerir a má notícia de que os carros ainda não haviam chegado Tentando digerir a má notícia de que os carros ainda não haviam chegado à Ilha, acomodamo-nos no Bairro da Cooperação Portuguesa, um simpático aldeamento de casas brancas rodeadas por frondosas palmeiras e relva. O dia acabou por ser passado entre a recepção Oficial à comitiva da Latitude Zero - Equatorial Challenge, um mergulho dado à pressa numa das muitas atractivas praias da ilha e os cozinhados da D. Hortênsia, uma fantástica comida ao bom estilo português e de tempero africano que fez as delícias do grupo.
Para quem, que como eu, está habituada a passar pelos mais recônditos lugares dos países do Norte de África, S. Tomé e Príncipe surpreende. Surpreende pela boa apresentação, simpatia e espontaneidade com que nos recebem os Santomenses, pelo acabamento e estado de limpeza das ruas, pelo pouco tráfego urbano e razoável estado de conservação do parque automóvel. O ar condicionado do autocarro que nos transporta funciona perfeitamente assim como o da casa onde nos alojamos. Surpreendem também as regras do Bairro da Cooperação onde não é permitido circular em fato de banho ou estender toalhas sobre a relva. As crianças sorriem para a foto e, se for preciso, oferecem-nos uma alegre gargalhada e partem sem nos pedir nada em troca.
Hoje percorremos alguns bons quilómetros por uma estrada estreita e sinuosa para ir a Santa Cruz dos Angolares dar umas pinceladas simbólicas (pintámos a fachada e duas salas com tintas CIN) no Centro Teresiano, local de abrigo e educação de 40 raparigas. A obra hoje iniciada será continuada a partir da próxima semana, com o apoio da Câmara Municipal de Matosinhos, um dos vários objectivos humanitários a que se propõe a expedição. Com esta viagem tivemos oportunidade de contemplar a paisagem onde o verde e a densidade das árvores causam impacto assim como as muitas casas de madeira construídas sobre estacas com cerca de dois metros de altura. A roupa acabada de lavar e a secar ao sol, esticada sobre as negras pedras de origem vulcânica ou sobre a vegetação faz também parte do cenário da ilha.
Domingo atracará o barco que transporta o Toyota Land Cruiser que me irá levar a descobrir os segredos da floresta equatorial. Confesso… sinto que o dia tarda em chegar!
Elisabete Jacinto
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